Ontem estive revirando coisas velhas e inúteis, achei velhos brinquedos, ferramentas antigas, caixas de sapatos cheias de documentos, revistas, jornais, mas o que mais me chamou a atenção foi uma velha caixinha de metal, estava totalmente empoeirada e um pouco enferrujada, fora de finos biscoitos um dia e agora carregavam velhas fotos, algumas em preto e branco outras em tons de sépia, parecia ter passado alguns anos na prateleira desse velho armário, ali imóvel guardando lembranças de um tempo que jamais voltará, mas que revela histórias que se repetem com leves distorções ao passar de gerações;
Atrás de algumas delas, datas e escritas de lugares, pessoas, viagens, enfim de passados vividos, não me vejo em nenhuma delas nem reconheço nenhum lugar que essas belas fotos monocromáticas revelam, logo lágrimas me escorrem pela face e apesar de estar olhando fotos antigas vejo nelas o futuro, vejo meu rosto com as marcas do tempo, não sei direito quem são as pessoas, apenas vejo meu rosto estampado ali, corro para o banheiro e me olho no espelho, minha pele carrega leves marcas de expressão, mas como pode ser possível? A pessoa nas fotos é exatamente igual a minha, vejo nos olhos dele o mesmo olhar que possuo, olho atrás do retrato leio alguns rabiscos, nada me é familiar exceto a data de 1962, não sei o porquê de apenas a data me ser familiar.
Continuo a explorar a velha caixa de metal, no meio de tantas outras acho outra foto com meu rosto, mas numa época que era muito jovem, com estatura de menino, mas o olhar ainda era o mesmo, atrás a data não correspondia a minha idade atual estava confuso e nostálgico, o passado tão distante estava ali me mostrando o futuro, avisando-me que o tempo passa e não volta mais, apenas fica nas boas lembranças e nas ações tomadas hoje, minhas lágrimas ainda correm pela minha face e fazem meu coração bater descompassado e rápido, então sentado ao chão com as fotos espalhadas em minha volta, examino cuidadosamente o meu passado, vejo erros terríveis e acertos perfeitos.
Meu choro parece não ter fim, lembranças me inundam a alma misturando sentimentos, não entendo as imagem que passam diante dos meus olhos, o presente se mistura ao passado e faz eu me sentir ainda mais vivo, minhas ações de hoje não desfazem as do passado e tampouco me tornam alguém melhor hoje, mas me mostram que posso mudar o rumo delas, nunca vou ser um exemplo a ser seguido, mas posso ser um dia lembrado por alguma ação, minhas qualidades são natas mas mesmo assim ainda tenho muito o que aperfeiçoá-las, algumas simples fotos do passado me transmitem a realidade de que passado, presente e futuro estão tão intimamente ligadas que apenas formam uma única história de vida.
Essas fotos do passado apesar de antigas me ensinaram uma lição importante do futuro, que meus pais sempre me alertaram, mas nunca dei ouvidos. Então uma velha caixa é capaz de me impor verdades que sempre foram colocadas a minha frente através de simples fotos antigas, então olho para meu futuro vivido no passado e tenho oportunidade de ver o que deu certo e o que não deu, tenho uma chance de mudar o rumo das minhas ações e manipular o futuro, para quem sabe um dia ser lembrado por boas ações, assim como fez meu futuro no passado, ou então meu futuro no presente, complicado de entender? Simples, olho para meu pai hoje e me vejo amanhã e para me ver mais além é só olhar as fotos de meu avô, pois eles são o meu passado, presente e futuro independente de gerações.Eduardo Dias Gonçalves
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