quarta-feira, 14 de abril de 2010

Estratégia


Foi o teu carinho que me chamou minha atenção, muitas vezes cruzei por ti e nada mais do que poucas palavras e trocas de olhares tentei, mas eu sabia que aconteceria, e tive paciência então fiquei esperando a oportunidade passar novamente por mim, tinha certeza que teria outra chance, pensei que seria diferente, que bom que não foi, que foi assim de improviso, que nada do que pensei deu certo, porquê se fosse do jeito que imaginei pareceria um teatro e não uma conquista, te conquistei aos poucos, mas fui conquistado em instantes, por teu jeito de me tratar, nas tuas palavras senti o calor de um colo e o tempo passou e quando me dei conta já era tarde, mais uma vez segui meu coração deixando a razão totalmente de lado.

Queria mais uma conquista, e a situação saiu do meu controle não consegui evitar e acabei me apaixonando, notei isso quando ao acordar lavar o rosto e olhar-me no espelho estava estampado nas minhas feições, eu realmente estava apaixonado e não podia mais voltar atrás, sempre usei o jogo da sedução a meu favor divertia-me flertando, e incorporando personagens de contos de fadas, mas contigo foi diferente, comecei o jogo e quando percebi de jogador eu passara para peça, me perguntei várias vezes onde estava o raciocínio lógico, as estratégias, o blefe, confesso que tentei o plano B mas ao tentar uma saída estratégica cai no meu próprio revés.

Comecei tão confiante que acreditava fielmente na minha estratégia, seria apenas mais uma conquista como tantas outras, poucas jogadas e xeque-mate, pronto, fim do jogo, mais uma peça derrubada no tabuleiro, mais uma conquista e o sabor da manipulação, não tinha plano B, pois tudo estava ensaiado na minha imaginação, daria certo nas primeiras jogadas, mas havia um detalhe: esqueci que o que manipula o coração é a mente, mas se o coração parar a mente também para, e o jogo da sedução tem-se riscos imprevisíveis, manipular o jogador é fácil, mas mais fácil ainda é ser manipulado pelo próprio coração.

Quando percebi que não tinha dado nenhum blefe nem jogado racionalmente, era tarde e o jogo tinha tomado proporções que eu nunca tinha estado, entrava cada vez mais num território que me deixava cada vez mais irracional, mas apesar disso sentia-me confortável e protegido, a vitória já não me era a maior importância, mas sim a permanência no jogo e o bem estar que isso me proporcionava, em nenhum momento me senti derrotado, apenas certo de que estava fugindo do meu controle e que por mais que eu quisesse ganhar, insistia em permanecer no jogo.

De sedutor a seduzido, nunca gostei tanto de perder um jogo como agora, não me importo se me tornei uma marionete nas mãos dela, nem se o “raciocínio lógico” não vai afetar em nada esse jogo, nossas partidas não tem mais horários nem dias, são separadas por uma distância enorme o que torna nosso jogo muito mais intenso e prazeroso, nossas partidas as vezes são curtas, outras longas até o amanhecer, nela não existem blefes nem jogadas racionais e sim provocações e flertes, a cada partida terminada fico impaciente para a próxima e durmo pensando, não em estratégias e planos, mas sim em poder olhar nos olhos dela e sentir o tom de sua voz, não tenho jogadas ensaiadas, o jogo é apenas pretexto para estar ao lado dela, se é amor não sei ainda, mas com certeza é a minha paixão.

Eduardo Dias Gonçalves

Foto de: Cândido Gonçalves

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