sexta-feira, 30 de julho de 2010

Um jantar a dois



Entre ingredientes e medidas na busca do acerto, do tempero ideal apurando o paladar ao extremo, são ervas finas misturadas a carnes com variados cortes, salsa, cebola, tomates e uma infinidades de opções, uma alquimia que beira a paranóia com colheres e porções, infinidades de “segredos” dos mais simples aos mais refinados, um fio de azeite de oliva cuidadosamente derramado com cuidado sobre ingredientes onde cada elemento tem a sua ordem, o fogo na temperatura exata, o vinho a marinar a carne fazendo apurar o gosto da refeição, as facas a cortar minuciosamente ervas e legumes com perfeição e exatidão, uma constante na busca de agradar e causar sensações inigualáveis nos sentidos alheios, o aroma no ar fazendo salivar, as cores dos alimentos a embelezarem ainda mais o ritual, o som dos elementos a ferverem e fritarem confrontando todos os sentidos, as mãos a lavarem cuidadosamente os ingredientes, enquanto em outro cômodo da casa aproveitas teu banho relaxante e quente, com pétalas e velas com aroma de sedução, sobre a cama um conjunto de lingerie preto, com detalhes que ficarão perfeitos em você e um botão de rosa vermelho dando uma idéia do que a noite promete.
A mesa feita com requinte e velas, os talheres colocados lado a lado numa simetria perfeita, as flores do campo a descontraírem o ambiente, a música no fundo dá o tom do conto e te deixa ainda mais a vontade, teus sentidos a flor da pele com tantas sensações misturadas, meus sentidos ainda mais aguçados por conta dos ingredientes e da minha imaginação, trato cada detalhe com atenção e carinho, meu coração bate acelerado e somente acalma ao te ver ali parada me olhando, teu vestido faz minha imaginação trabalhar a todo vapor, são imagens e sons que passam em minha cabeça tornando o momento excepcional, arrasto tua cadeira como um cavaleiro e te trato humildemente como um servo trata a sua rainha, te sirvo o vinho tinto com delicadeza em uma taça de cristal, os detalhes vão aos poucos revelando-se lentamente um a um, tua alegria fica estampada em tua face através do teu sorriso, o vinho começa a ter seu efeito e tuas maças do rosto já começam a avermelhar-se, o brilho dos teu olhos ofusca a penumbra do momento.
Coloco nossa refeição a mesa, decorado com enfeites cuidadosamente elaborados, nossa conversa descontraída se vai por horas a fio, os sabores, os aromas e as cores não teriam o mesmo sentido sem tua presença, tua beleza completa o ambiente e eu ali apenas a te apreciar, sonhando acordado com os momentos que estão por acontecer, aprecio cada detalhe em você, nossa história sendo escrita através do tempo sem canetas nem folhas de papel ficando apenas guardadas na memória, o vinho e os olhares ávidos acendem o fogo e os beijos são inevitáveis, o começo de mais um capitulo a ser criado, as mãos a percorrerem o corpo alheio com toques hora agressivos hora delicados, as roupas a serem despidas numa rapidez como se o mundo fosse acabar dentro de alguns minutos, corpos a se atirarem contra paredes sendo tomados pelos desejos, palavras sussurradas delicadamente no ouvido complementadas com beijos ardentes no pescoço, corpos seminus numa corrida insana em busca de dar e receber prazer, as últimas peças de roupas são tiradas lentamente provocando e aumentando ainda mais a expectativa, as caricias por incrementarem ainda mais a situação.
A noite se passa e torna-se insaciável e maravilhosa, as quatro paredes escondem detalhes picantes, aos poucos os corpos findem por saciar-se e entrarem em sono profundo e pleno, e fico a te observar deitada em meu peito, aliso teus cabelos cuidadosamente com caricias que te levam ao imaginário e fazem-te sonhar com os momentos vividos por nós dois, acabo por adormecer abraçado em ti, para dali a algumas horas despertar e te ver dormindo e te acordar com beijos e flores e mais um dia passar do teu lado planejando como vou te surpreender novamente.

Eduardo Dias Gonçalves
Foto de: Rafaela Esteves

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Momentos

Nos dois sentados na grama a contemplar o horizonte, fazendo promessas que poderão ou não se tornar real, mergulhados numa utopia simultânea, entre beijos e abraços sonhamos com o realizar dos sonhos e torcemos para nada dar errado, dois enamorados trocando juras de amor eterno, o mate que nos aquece e escuta nossas conversas como um padre escuta seus confidentes, há se aquela cuia pudesse falar, tenho certeza que contaria sobre nossos segredos íntimos e nossas palavras provocativas cheias de segundas intenções, teu cabelo claro a esvoaçar junto com o vento brando que sopra um ar gelado nos obrigando a apertarmos nossos abraços, o sol que nos aquece com raios tímidos te ilumina fazendo teu sorriso ficar ainda mais radiante, nossas confidências mutuas são mais sinceras e cheias de mistérios, nossos segredos mais secretos são aos poucos confidenciados um a um, com detalhes que ás vezes causam ciúmes.
Confesso que muitas vezes não consigo entender o que falas porque fico encantado em teus lindos lábios, gosto de olhar tua boca a pronunciar palavras e esqueço de ouvir, é como se o mundo parasse e todo o resto se silenciasse, e quando me chamas a atenção e me perguntas se estou ouvindo, não contenho o riso e saio do meu mundo paralelo para escutar tua voz incomodada por eu não estar sendo participe dos teus assuntos, tento explicar e para calar-me me dá um beijo sutil que me silencia na hora, o mate quente dá pretexto para ficarmos colados lado a lado, os pontos finais entre uma conversa e outra são marcados por beijos e sorrisos, gosto de olhar nos teus olhos como um lobo, te observar cada gesto e adoro quando mexes no teu cabelo, quando balanças e novamente o prende deixando tua barriga a mostra, me fazendo imaginar as coisas mais loucas e surpreendentes que farei contigo.
Palavras são ditas através dos olhares revelando uma cumplicidade que mais parece telepatia, afinidades semelhantes fazem nossas ações serem simultâneas, nossos abraços são carregados de ternura e desejo, nossos perfumes se fundem no ar criando uma fragrância inigualável, a paisagem apenas emoldura tua beleza, teus olhos a me hipnotizar e teu colo a me dar aconchego, tuas mãos acariciam meus cabelos e quando fecho meus olhos sou carregado para o um lugar celestial, não é exagero quando toco teu rosto suavemente para ter certeza que és real, aos poucos adormeço sentindo apenas o toque suave dos teus dedos percorrendo meu rosto, minha boca e meu pescoço para logo sentir teus lábios como a me provocar para despertar de um sono pleno e vistoso, ao abrir os olhos vejo teus traços delicados e suaves contrastando tua pele clara.
Tenho em meus braços a mais bela criação de Deus, a mais delicada das mulheres, única e indescritível, não existem palavras para te descrever de tamanha beleza que carregas contigo, a bela paisagem como cenário torna o nosso momento inesquecível e acolhedor, não quero que o dia termine nem quero ficar longe de ti, o relógio insiste em lembrar do real e acaba por querer nos separar, mesmo que por breves sejam os momentos, os minutos parecem horas e se passam vagarosamente, nos abraçamos demoradamente e o beijo de despedida é dado incompleto, apenas para deixar um gostinho de quero mais e com a vontade de voltarmos a nos ver com o pretexto de completar o incompleto e ter teu abraço novamente, nossa despedida é breve, e como dois apaixonados passamos o dia contando os minutos para completar o que ficou pendente.
Eduardo Dias Gonçalves

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Vinho tinto


Uma taça de vinho, o fogo na lareira e o pensamento a voar pelos ares nos mais variados lugares, são lembranças e sonhos que se mesclam e se tornam diferentes realidades tal qual como o gosto de beijos e o calor de corpos, o vinho apreciado por minhas papilas tem o mesmo gosto de um beijo o qual não lembro de que boca provei, o calor da lareira é o mesmo das noites de amor e sexo intenso em que meu corpo se pôs a nu, o etílico que me relaxa e embriaga mistura o passado e o futuro em sensações antagônicas, corpos macios em mãos ásperas, lábios recebendo mordidas suaves e línguas percorrendo peles aflitas de desejo, os cheiros e as palavras são ditas num tom hora perverso hora carinhoso, o tempo percorre a velocidade da luz, o vinho revelando Bacos e Afrodites em corpos tomados pelo pecado, realizando os mais íntimos desejos.
Na fusão de realidades e sonhos, confrontados a cada gole de um tinto suave e perfumado, não mais existem paredes, e ser observado sem nenhuma veste ou pudor já não é importante, pelo contrário ainda mais excitante e sublime, os lençóis cobertos de pétalas e o fogo a arder em chamas na lareira, um cenário termântico que faz aflorar os instintos mais selvagens e primitivos da natureza, o prazer da carne já não pode mais ser abdicado ou vencido, corpos nus esfregando-se querendo adentrar-se um no outro, alucinados de tanto prazer, as mãos a percorrerem o corpo alheio ferindo-o levemente e carinhosamente, o ímpeto subjuga e transforma o racional em irracional animal, os beijos ousados e pretensiosos levam ao delírio e o prazer chega ao êxtase, os sons já não são mais sussurros ou gemidos ao pé do ouvido, mas sim gritos de palavras lascivas, os corpos nus se regozijam de dor e deleite, as línguas ávidas a dar e sentir prazer se despem de pudores ou repulsa, o suor exalando uma fragrância natural torna o momento cada vez mais único.
A taça passa de mão para mão e os lábios que a tocam são os mesmos que trocam beijos quentes e sedutores, beijos que se completam e se tornam viciantes e embriagantes como o vinho tinto, a taça é passada delicadamente pelos lábios acompanhada de um singelo beijo no canto da boca apenas a provocar e atiçar novamente o fogo no corpo alheio, seguido de um olhar sensual e pecaminoso para então ressurgir um incontrolável desejo, entre caricias ousadas e toques profundos, os dedos percorrem caminhos que novamente levam ao delírio, causando impressões de estar em contato com os deuses, respirações ofegantes e ritmadas são abafadas por gemidos de prazer simultâneo, onde os corpos em chamas terão chego a plenitude estrema e cairão abraçados um ao outro, exaustos e embriagados de vinho e prazer, para então adormecerem como brasas na lareira e eu ali apenas como um expectador, cairei em sono profundo misturando sonhos com realidades.
Eduardo Dias Gonçalves
Foto de: Rafaela Esteves

sábado, 17 de julho de 2010

Deixa ?


Teu sorriso há esse sorriso que me encanta e faz-me delirar, será que um dia vou te encontrar? Fico nervoso só em pensar que pode não ser real, procuro um bom motivo para não estar lá e nenhum deles me faz hesitar, quando chegar o dia, deixa eu te encontrar te surpreender e te fazer rir, deixa eu apenas te observar e te contemplar, deixa correr o risco de te dar o último beijo, o último abraço, deixa eu ter a chance de te fazer a mulher mais feliz desse mundo, deixa eu sentir orgulho de te ter em meus braços, deixa eu apenas ser verdadeiro, deixa eu narrar nossa história no teu ouvido, quando eu te ver deixa eu sorrir, pois seria impossível não estar feliz ao teu lado, deixa eu sentir medo de te perder, deixa eu te beijar até ficares sem fôlego, deixa eu olhar no azul dos teus olhos e me imaginar nos mais belos lugares do planeta, deixa eu ficar embriagado com teu perfume, mesmo que seja por alguns minutos.
Eu faço tudo errado, mas gostar de ti é a coisa mais certa que fiz em toda a minha vida, o meu maior acerto, declarações sem beijos são as mais sinceras e com beijos mais intensas, deixa eu sonhar no teu abraço, deixa eu me hipnotizar com tua beleza, deixa eu ouvir tua voz e me sentir bem, deixa eu me divertir contigo, deixa eu acariciar teus cabelos, deixa eu te entreter, deixa eu ler tua mão, deixa eu te alegrar, deixa eu te curtir, deixa eu ser apaixonado por ti pelo resto da vida, deixa eu ler o livro que tu mais gosta, deixa eu escutar a música que te tira desse mundo, deixa eu te deitar no meu colo e te fazer carinho, deixa o nosso tempo se tornar inesquecível, deixa eu te guardar na memória para sempre, deixa eu caminhar de mãos dadas contigo, deixa eu te amar, deixa eu apenas tentar e se nada disso der certo...
...Então me deixa.

Eduardo Dias Gonçalves
Foto de: Cândido Gonçalves

quarta-feira, 14 de julho de 2010

A flor mais bela


Não sou um bom jardineiro, para ser sincero a única coisa que eu plantei e vi crescer foi um pé de feijões, acho que todo mundo já teve seu pé de feijão na vida, colocado no algodão sob a janela, lembro de ter visto ele crescer então quando ele estava pronto e forte o bastante, plantei ele num canteirinho da escola, mas fora isso nunca cultivei essa habilidade de tratar com plantas, mas sempre apreciei as flores, de todos os tipos, cores e aromas, gosto muito da delicadeza das pétalas,tantos anos colhendo flores e nunca vi nenhuma igual nem em beleza nem em fragrância, algumas de tão delicadas em pouco tempo murcharam outras me causaram algumas picadas por seus espinhos, mas todas foram muito belas e coloriram minha vida.
São espécies variadas, todas com suas pétalas em diferentes formas e cores, mas ao caminhar pela estrada da vida, sem perceber encontrei um belo exemplar, tem a beleza de uma orquídea e um perfume de jasmim, sua beleza é indescritível e sua forma com certeza a mais bela dentre todas as flores que colhi, nunca fiz comparações, mas esta era totalmente indescritível, totalmente incomparável, única e com tantos adjetivos juntos que eu não conseguia descrevê-la, fiquei perplexo e confuso, não é preciso entender de flores para apreciá-las, mas tenho certeza que esta não se encontra em nenhum catalogo nem floriculturas, apenas pelo simples detalhe de ser impossível classificá-la.
Confesso que tentei continuar caminhando, mas depois que á vi não consegui mais parar de apreciá-la, sua beleza me deixava tonto, suas pétalas tinham um tom tão delicado que me transportavam para outra dimensão, seu aroma me embriagava e nada mais importava, mas o tempo insistia em passar e meus pés inquietos me forçavam para longe, queria ter um jardim de inverno só para ela, regar, arar a terra a sua volta e apreciá-la todos os dias, durante várias horas por dia, o sol se pôs e a imagem dela ficou no meu pensamento, uma melancolia tomou conta do meu corpo, pois queria poder ter a chance de apreciá-la novamente, mas tinha a certeza que seria impossível aquela linda flor não ser notada.
Dias se passaram e meus pés me levavam para lugares distantes, meu corpo continuava em frente, mas meu pensamento ficará kilometros longe, em todos os jardins que eu procurava nada me chamava tanta atenção como aquela bela flor que encontrei a beira da minha estrada, vi muitas flores lindas e cheirosas, mas nenhuma como aquela, tinha cada vez mais a certeza que ela era única, mesmo se eu voltasse atrás não tinha certeza de encontrá-la novamente, então temia o pior imaginava alguém a pegando e a arrancando do solo, com brutalidade e sem nenhuma sensibilidade, com o intuito de apenas colocá-la em um vaso sobre uma mesa, sem nem ao menos perceber que flores arrancadas ao passar do tempo murcham e acabam por perdem suas pétalas e cores apenas deixando uma leve fragrância no ar , como nos dias em que estava viva.
Mas essa bela flor ainda estava lá como no dia em que a vi pela primeira vez, minha alegria ao vê-la novamente era estampada num sorriso, agachei-me e comecei a apenas analisá-la por inteiro, notando suas formas e imperfeições, sentia-me radiante e com vontade de tocá-la, mas nada fazia alem de apreciá-la apenas e sentir sua vibração, suas sensações me deixavam louco e confuso, seu perfume inundava meus pulmões e pensava em inúmeras possibilidades de como poderia ter ela só para mim, as gotas de orvalho em suas pétalas a deixavam ainda mais maravilhosa, não conseguia mais sair de perto dela com receio de deixá-la desprotegida, tão bela e tão delicada, e realidade se mistura a fantasia e eu já não sei se estou dormindo ou acordado, apenas sei que quero construir um jardim digno de merecer essa bela flor e que ter ela só para mim, seria como aprisioná-la em um pequeno vaso.

Eduardo Dias Gonçalves

sábado, 3 de julho de 2010

Loucos sãos

Amor, paixão, ciúme, ódio, ilusão, desilusão, mentiras, verdades, fracasso, desespero, apego, desapego, afeto, carinho, promessas, desafio a alguém me provar que nunca teve nenhum desses sentimentos, seja pobre ou rico, bonito ou feio, grande ou pequeno, homem ou mulher, hétero ou homo, enfim alguém que não esteja nessa mesma arca, que não busca na vida o par ideal, a cara metade, a alma gêmea como que se gêmeos tivessem a mesma alma, se nem gêmeos univitelinos tem os mesmos pensamentos ou as mesmas características emocionais, haverá de existir almas idênticas? Sou um romântico por natureza, apenas mais um ser rastejante desse planeta, apenas mais um a engrossar filas de consultórios psicológicos e psiquiátricos, tarô, festas, ambientes sociais enfim atrás da mesma ilusão coletiva, na mesma arca no mesmo ciclo.
Sexo, drogas e rock em roll contagiam da mesma maneira e fazem o mesmo mal que amores e paixões, duvida? Me diga um apaixonado que não ficou burro, tonto, atento ao telefone, MSN, visitando o Orkut dele(a) 58 vezes por dia, que quando atende o telefone fica falando horas esquecendo os amigos ou o que tem que fazer, que dança alegre e contente mesmo não sabendo dançar, que canta mesmo não sabendo cantar, me diga quem por amor nunca passou fome, rastejou, se humilhou, fez sacrifícios, se pintou de palhaço, fez cartas kilométricas de amor eterno, acreditou em promessas ditas antes de um beijo, saciou-se com miragens, entregou-se ao sexo esperando que seria amor, drogas criam dependência física e psicológica, e o tal amor? Não cria dependência? Podemos viver sem amar?
Sábios são os monges, que fazem votos de não terem relações matrimoniais nem se entregarem aos prazeres da carne, se eu nunca sentir o gosto é bem pouco provável que eu sinta falta, assim como coração de rã, algum dia você acordou com vontade de comer coração de rã? Se nunca provou não sentirá nem vontade nem falta, monges trabalham o desapego das coisas diariamente, pode até parecer bobagem, mas nascemos sãos e nos tornamos doentes, e acreditamos que nossa doença é parte da vida, que sofrer por amor é natural, que com o calor de beijos podemos fazer promessas mesmo sabendo que não queremos cumpri-las, temos prazer em usar corpos alheios e esquecer que nossos corpos também estão sendo usados, que desilusões fazem parte do ciclo independente do caminho que optarmos, e que por mais que procuramos sempre chegaremos ao mesmo final independente das opções, são relacionamentos criados em imagens virtuais, tudo a velocidade da luz com inúmeros gigabytes de informações, não temos mais tempo não podemos ficar parados, temos que correr beijar inúmeras bocas e sentirmos variados corpos, para enfim achar a alma gêmea, a metade certa, o par ideal.
Para depois de alguns anos, começar novamente o ciclo apenas com personagens e cenários distintos, mas com o mesmo roteiro, e quando nossos corpos não serem mais úteis morreremos agarrados e obrigados a manter nossa última escolha, que pode não ter sido a certa nem a que passamos toda a vida a procurar, nossas lágrimas já não existem mais porque as deixamos lá atrás no passado distante, em relacionamentos anteriores que de nada serviram alem das experiências do que não se deve fazer num relacionamento eterno, o qual já é tarde para começar, ainda sou um romântico incurável que sofre com dores horríveis no coração, confesso que queria ter sido um monge para não ter amado nem ter feridas, queria morrer são e não tomado pela dependência do amor, tenho lapsos de monge mas vivo em um show de rock, no mesmo ciclo que todos na mesma arca, queria não ter provado o gosto da maçã nem o efeito da droga, então tento me conformar e apenas aproveitar ao máximo o gosto de beijos e o cheiro de corpos, esperando encontrar a alma gêmea.

Eduardo Dias Gonçalves