Amor, paixão, ciúme, ódio, ilusão, desilusão, mentiras, verdades, fracasso, desespero, apego, desapego, afeto, carinho, promessas, desafio a alguém me provar que nunca teve nenhum desses sentimentos, seja pobre ou rico, bonito ou feio, grande ou pequeno, homem ou mulher, hétero ou homo, enfim alguém que não esteja nessa mesma arca, que não busca na vida o par ideal, a cara metade, a alma gêmea como que se gêmeos tivessem a mesma alma, se nem gêmeos univitelinos tem os mesmos pensamentos ou as mesmas características emocionais, haverá de existir almas idênticas? Sou um romântico por natureza, apenas mais um ser rastejante desse planeta, apenas mais um a engrossar filas de consultórios psicológicos e psiquiátricos, tarô, festas, ambientes sociais enfim atrás da mesma ilusão coletiva, na mesma arca no mesmo ciclo.
Sexo, drogas e rock em roll contagiam da mesma maneira e fazem o mesmo mal que amores e paixões, duvida? Me diga um apaixonado que não ficou burro, tonto, atento ao telefone, MSN, visitando o Orkut dele(a) 58 vezes por dia, que quando atende o telefone fica falando horas esquecendo os amigos ou o que tem que fazer, que dança alegre e contente mesmo não sabendo dançar, que canta mesmo não sabendo cantar, me diga quem por amor nunca passou fome, rastejou, se humilhou, fez sacrifícios, se pintou de palhaço, fez cartas kilométricas de amor eterno, acreditou em promessas ditas antes de um beijo, saciou-se com miragens, entregou-se ao sexo esperando que seria amor, drogas criam dependência física e psicológica, e o tal amor? Não cria dependência? Podemos viver sem amar?
Sábios são os monges, que fazem votos de não terem relações matrimoniais nem se entregarem aos prazeres da carne, se eu nunca sentir o gosto é bem pouco provável que eu sinta falta, assim como coração de rã, algum dia você acordou com vontade de comer coração de rã? Se nunca provou não sentirá nem vontade nem falta, monges trabalham o desapego das coisas diariamente, pode até parecer bobagem, mas nascemos sãos e nos tornamos doentes, e acreditamos que nossa doença é parte da vida, que sofrer por amor é natural, que com o calor de beijos podemos fazer promessas mesmo sabendo que não queremos cumpri-las, temos prazer em usar corpos alheios e esquecer que nossos corpos também estão sendo usados, que desilusões fazem parte do ciclo independente do caminho que optarmos, e que por mais que procuramos sempre chegaremos ao mesmo final independente das opções, são relacionamentos criados em imagens virtuais, tudo a velocidade da luz com inúmeros gigabytes de informações, não temos mais tempo não podemos ficar parados, temos que correr beijar inúmeras bocas e sentirmos variados corpos, para enfim achar a alma gêmea, a metade certa, o par ideal.
Para depois de alguns anos, começar novamente o ciclo apenas com personagens e cenários distintos, mas com o mesmo roteiro, e quando nossos corpos não serem mais úteis morreremos agarrados e obrigados a manter nossa última escolha, que pode não ter sido a certa nem a que passamos toda a vida a procurar, nossas lágrimas já não existem mais porque as deixamos lá atrás no passado distante, em relacionamentos anteriores que de nada serviram alem das experiências do que não se deve fazer num relacionamento eterno, o qual já é tarde para começar, ainda sou um romântico incurável que sofre com dores horríveis no coração, confesso que queria ter sido um monge para não ter amado nem ter feridas, queria morrer são e não tomado pela dependência do amor, tenho lapsos de monge mas vivo em um show de rock, no mesmo ciclo que todos na mesma arca, queria não ter provado o gosto da maçã nem o efeito da droga, então tento me conformar e apenas aproveitar ao máximo o gosto de beijos e o cheiro de corpos, esperando encontrar a alma gêmea.
Eduardo Dias Gonçalves
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