
Uma taça de vinho, o fogo na lareira e o pensamento a voar pelos ares nos mais variados lugares, são lembranças e sonhos que se mesclam e se tornam diferentes realidades tal qual como o gosto de beijos e o calor de corpos, o vinho apreciado por minhas papilas tem o mesmo gosto de um beijo o qual não lembro de que boca provei, o calor da lareira é o mesmo das noites de amor e sexo intenso em que meu corpo se pôs a nu, o etílico que me relaxa e embriaga mistura o passado e o futuro em sensações antagônicas, corpos macios em mãos ásperas, lábios recebendo mordidas suaves e línguas percorrendo peles aflitas de desejo, os cheiros e as palavras são ditas num tom hora perverso hora carinhoso, o tempo percorre a velocidade da luz, o vinho revelando Bacos e Afrodites em corpos tomados pelo pecado, realizando os mais íntimos desejos.
Na fusão de realidades e sonhos, confrontados a cada gole de um tinto suave e perfumado, não mais existem paredes, e ser observado sem nenhuma veste ou pudor já não é importante, pelo contrário ainda mais excitante e sublime, os lençóis cobertos de pétalas e o fogo a arder em chamas na lareira, um cenário termântico que faz aflorar os instintos mais selvagens e primitivos da natureza, o prazer da carne já não pode mais ser abdicado ou vencido, corpos nus esfregando-se querendo adentrar-se um no outro, alucinados de tanto prazer, as mãos a percorrerem o corpo alheio ferindo-o levemente e carinhosamente, o ímpeto subjuga e transforma o racional em irracional animal, os beijos ousados e pretensiosos levam ao delírio e o prazer chega ao êxtase, os sons já não são mais sussurros ou gemidos ao pé do ouvido, mas sim gritos de palavras lascivas, os corpos nus se regozijam de dor e deleite, as línguas ávidas a dar e sentir prazer se despem de pudores ou repulsa, o suor exalando uma fragrância natural torna o momento cada vez mais único.
A taça passa de mão para mão e os lábios que a tocam são os mesmos que trocam beijos quentes e sedutores, beijos que se completam e se tornam viciantes e embriagantes como o vinho tinto, a taça é passada delicadamente pelos lábios acompanhada de um singelo beijo no canto da boca apenas a provocar e atiçar novamente o fogo no corpo alheio, seguido de um olhar sensual e pecaminoso para então ressurgir um incontrolável desejo, entre caricias ousadas e toques profundos, os dedos percorrem caminhos que novamente levam ao delírio, causando impressões de estar em contato com os deuses, respirações ofegantes e ritmadas são abafadas por gemidos de prazer simultâneo, onde os corpos em chamas terão chego a plenitude estrema e cairão abraçados um ao outro, exaustos e embriagados de vinho e prazer, para então adormecerem como brasas na lareira e eu ali apenas como um expectador, cairei em sono profundo misturando sonhos com realidades.
Eduardo Dias Gonçalves
Foto de: Rafaela Esteves
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