domingo, 8 de agosto de 2010

O alquimista



Procuro uma porção exata de ingredientes mágicos, são ervas raras e especiais algumas não são vistas a olhos humanos nem podem ser colhidas por simples pessoas, todas elas possuem funções místicas, são porções exatas para efeitos precisos, que curam todo e qualquer mal espiritual ou físico e se utilizadas para maldades podem fazer qualquer gigante tombar sem motivo aparente nem deixar vestígios ou pistas, as receitas não são contidas em páginas nem cartas, apenas são passadas de gerações para gerações por milhares de anos, e todas elas permanecem inalteradas com toda a sua originalidade. Muitas delas não precisam de grandes caldeirões nem rituais de sangue e cânticos, são pensamentos e dons que misturados criam efeitos às vezes considerados mágicos, milagres, destino ou então sobrenatural, são lendas e contos narrados com veracidades e detalhes impressionantes que por milênios são escutados por aprendizes e crentes no mundo inteiro. Um elixir capaz de resolver uma fragilidade humana que tombou grandes reis ou lideres, que corrompeu nações, que deu fim a inúmeras vidas e mudaram destinos, um antídoto para febre humana que somos contagiados, independente de religião, cor, sexo ou classe. Quero a dose exata para aniquilar a cólera que se hospeda dentro de mim, quero a cura do que não pode ser curado, quero livrar-me da dor que não mata, do que fere sem deixar marcas, quero descobrir a fórmula exata, a combinação certa para sair do pesadelo que me aterroriza durante noite e dia, procuro a bruxa, curandeiro ou mago capaz de dar respostas ao enigma que persegue a inutilidade humana desde o surgimento da vida na terra, quero a poção certa para sair do ciclo da doença, que como um câncer toma conta e enfraquece o corpo, quero sentir o feitiço ou magia a limpar minha alma dessa fétida doença, quero voltar a ter a inocência de menino, para então começar um novo ciclo sem medos nem ressentimentos, e ser capaz de ver a beleza em coisas simples, mas no meu intimo acredito achar a fórmula certa para meu mal tão impossível quanto transformar chumbo em ouro.
Eduardo Dias Gonçalves
Foto de: Eduardo Gonçalves

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Reflexão de um canceriano

Esses dias a navegar na internet, li uma frase de um grande amigo que me deixou por alguns minutos perplexo, na frase dele constava a seguinte afirmação:
“Não de valor as coisas que ficaram para trás, pois sentir falta não as trará de volta.” E por breves momentos uma avalanche de pensamentos me inundou a minha mente, a ponto de me deixar tonto e por inteiro confuso então fui do passado ao futuro em fração de segundos, e quando pensei que encontraria as respostas, me senti totalmente frustrado e ainda mais desmotivado pelo simples fato de repensar situações que te mostram a vulnerabilidade humana, que por dentro da concha a carne é bem macia e tenra, que por maior e mais forte que sejamos ainda assim somos fracos e tolos e mesmo se escondendo na lama sempre tem um ou uma filha da puta pra te achar e te jogar dentro de uma panela com água fervente, apenas pra saborear o que temos de mais importante.
Sem pensar que mesmo que vivamos na lama ainda assim temos direito a viver a vida por mais medíocre que ela seja e depois da captura somos jogados dentro de um saco com outros companheiros, sendo tratados apenas como mais um numero, mais uma conquista, somos vistos apenas como um servo dos prazeres de paladares alheios, como uma iguaria degustado por bocas muitas vezes imundas, que nada se assemelham as nossas humildes residências, mas se o sofrimento fosse apenas o que nossos duros corpos sentem antes de morrermos á panela com água fervente, mas não, nosso sofrimento se estende por horas a fio, por longas e exaustivas viagens dentro de sacos amontoados e imundos, sem contar a nossa exposição aos idiotas que dali a poucos minutos estarão a comerem nossos corpos, e que dão risada de nossos gritos de dor ao sentirmos a água fervente a cozinharem nossos corpos na própria casca.
Um a um somos mortos lentamente e dolorosamente, para suprir o prazer de alguém indiferente para com os outros, mas tudo bem faz parte da vida nascer, crescer e morrer e se eu vou ter que morrer por ti que assim seja feita tua vontade, mas nunca esqueça que uma vez dentro de teu corpo, minha alma inútil fará parte da tua vida para todo o sempre, e tu vai se lembrar para sempre do meu gosto e do meu cheiro, e quando estiveres a comer a minha carne macia e se regozijar do último prazer que eu estou te proporcionando aproveita bem, e fica avisada(o) que dali a poucos minutos quando eu estiver sendo digerido por tuas entranhas, vou te proporcionar à maior caganeira da tua vida, te fazendo sentires as mais profundas e dolorosas dores, te deixando com o cú em chamas e que venha acompanhado de vômitos intensos acompanhados com sangue e aqueles líquidos biliáticos amargos e ácidos, e que tua garganta que me engoliu depois de mastigar meu corpo inúmeras vezes tenha dores horríveis, que te impeçam de falar e sentires outros prazeres, então sua ou seu filho da puta você vai se lembrar para sempre de mim, e se der ou não valor, ainda assim não vai ser motivo para ter de volta, então depois dessa breve reflexão pensei: FODA-SE!!!
Eduardo Dias Gonçalves