Neste pequeno espaço, convido você, a percorrer um caminho nunca antes adentrado por ninguém, onde teremos estradas sinuosas, ingremes, penhascos enormes e assustadores, mangues, rios, mares, mas com certeza, com belas paisagens e sensações que farão com que você estremeça, seja bem vindo...
terça-feira, 25 de dezembro de 2012
Prece a Epona
Meu tempo escorre como o gelo se desfaz das montanhas, minhas pernas já não são fortes o suficiente, rogo a Deusa Epona mais um cavalo, que a noite possa galopar na proteção de Selene, silencioso e rápido como Éole, Valente como Odin, como oferenda ofereço meu corpo e meu sangue pela causa, brandindo espadas e defendendo até o último suspiro de meu corpo os meus ideais de honestidade e caráter, acabei por tornar-me um velho guerreiro solitário, cicatrizes e experiência de poucos combatentes foi o que me restaram, atrás de meu escudo ficaram marcados os amigos e familiares que perdi em batalhas, não sou mais tão ágil quanto antes, porem ainda manejo minha espada com a desenvoltura de um jovem tolo.
Sigo a caminhar por entre os vales, não temo a morte, pois o medo encontra-se dentro do coração de cada homem, de todas as batalhas que lutei as mais dolorosas foram as que fui golpeado com os punhais de Afrodite, se não fosse a magia de Baco, a me curar da cólera que causa tanta dor, seria mais um humilde guerreiro a ajudar no campo e cuidar de animais, quero por meu corpo e vociferar palavras de ordem enquanto brandirei minha espada contra os corpos de inimigos, quero separar almas de corpos tingindo as patas do meu cavalo de sangue e suor, quero escutar o som de espadas e gritos de misericórdia enaltecendo cada galope, cada bater de cascos no solo.
Então a ti minha Deusa Epona concedei-me e considera como um último pedido, de um jovem guerreiro com a sabedoria de um velho tolo, permita-me galopar por entre campos de batalhas e quando já não for mais tão ágil ou quando o Deus Odin assim desejar, deixa-me aos cuidados das Valquirias e derrama um pouco do meu sangue em homenagem a Afrodite.
Eduardo Dias Gonçalves
domingo, 25 de novembro de 2012
Meu coração me abandonou
Por onde andei, nem mais eu sei, andei perdido, me achei me perdi novamente, e por esses caminhos que fui e que voltei já não sei mais o quanto percorri, estradas por entre colinas e campos caminhei, lembro que deixei meu coração em algum lugar mas já nem lembro, peguei chuva, frio, senti calor, estive cansado e em alguns lugares adormeci, não sei por quantos dias nem por quantas noites, toco em meu peito e não sinto mais meu coração a palpitar, tiro a espada da bainha e corto firmemente a palma da mão, o sangue escorre tingindo de rubro o solo que se encontra sob meus pés, percebo que estou vivo, porem não sinto mais meu coração bater, busco na memória o que aconteceu nesses dias de caminhada, são imagens e cenas misturadas, tudo muito confuso, na bolsa que carrego, uma garrafa de hidromel pela metade, entendo o porque de tanta confusão mental, estou ligeiramente embriagado.
Meus pés doem, minhas pernas já trêmulas insistem em não equilibrar mais meu corpo, meus olhos ardem com o suor que escorre de minha testa, insisto em caminhar sem saber onde devo chegar sem saber para onde devo ir, sem saber de onde venho, apenas sinto que tenho que continuar, meu corpo sente dores de batalhas que tive no passado, meu coração continua estático, sem nem ao menos me dar uma misera motivação, perdi meu cavalo em uma batalha e desde então minha caminhada é cada dia mais lenta, onde antes percorria milhas em um dia hoje não percorro mais do que algumas centenas de metros, ainda mais com estes meus pés tortos, que insistem em doerem e me irritarem, apesar de velho ainda tenho uma saúde de jovem, uma força de um potro selvagem porem minha mente inquieta me coloca amarras e pesos tão severos que meu corpo luta para livrar-se, sem sucesso e acabo por submeter-me aos seus desejos e comandos.
Já fui jovem e tolo e quanto mais velho fico mais tolo eu me torno, insisto em acreditar em palavras de mercadores e nobres, que por trás dos seus trajes não passam de vigaristas e oportunistas, de meu coração ainda não tive noticias, deve estar por algum lugar qualquer, talvez tenha até abandonado meu corpo, minha razão insistia em criar desavenças a todo instante com ele, talvez cansado de ser contrariado, resolveu seguir seu próprio caminho, e eu aqui estou sem mapa, sem rumo e talvez sem coração, a noite chega e na frente de uma fogueira ainda sinto frio, minhas mãos e meus pés estão gélidos como um mero cadáver, torno a beber mais um pouco de hidromel que restou, a fim de voltar a lembrar-me de quando meu coração palpitava com o vigor de jovem, com o calor de uma festa a beira do fogo, com gente cantando e dançando, a alegria não toma meu corpo e começo a ter certeza que meu coração me abandonou, as lágrimas em meu rosto já não são as mesmas, tornaram-se escassas e pouco intensas, acabo por deitar-me a beira do fogo esperando adormecer para quem sabe quando acordar meu coração esteja novamente palpitando em meu peito.
Eduardo Dias Gonçalves 26/11/12
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