domingo, 4 de agosto de 2013

O medo

Houve um dia que os homens de grande coração conduziam o mundo, em uma época que não era somente ter habilidade com espadas, escudos e lanças, nem ter braços fortes como um cavalo e ser ágil como um gato, uma época em que o que contava não era a quantidade de sangue que perdeu, mas sim os que se foram derramados pelo fio do metal que perfurou e dilacerou tantos corpos, ser forte não era uma exceção era uma necessidade, entre corpos caídos ao chão e cheiro de sangue grandes homens se perderam e outros maiores ainda triunfaram, dentre tantos os caídos e as almas lavadas em sangue muitas foram as donzelas que sentiram a perda e a sensação de que um dia o seu guerreiro voltaria por entre as colinas, banhado em sangue e terra, com um sorriso no rosto e a barba por aparar, de braços abertos oferecendo um abraço mal cheiroso mas repleto de amor, a guerra tem dessas coisas, traz a tona os dois lados da moeda o bom e o ruim se completando, lamentavelmente muitas seriam as casas as quais seus guerreiros não mais sentariam a mesa para jantarem juntos, e muitos dos filhos ficariam sem o beijo de boa noite e as histórias de guerreiros e magos, assim seriam as noites frias das mulheres que amaram homens que carregavam a utopia de liberdade e o caráter no fio de uma espada, defendendo o coração atrás de um corpo de carne e um escudo de madeira e ferro, com o pensamento em sua bela e amada donzela. Muitos homens se fizeram notar-se e se foram perdidos por entre flechas e feridas, mas poucos foram os que se fizeram notar por seus ideais e suas crenças altruístas de honestidade e caráter, muitos foram os cavalheiros que deram a vida por uma ideia e por um estandarte, muitos foram os que brandiram espadas e urraram hinos de guerra e de liberdade, muitas foram às almas que deixaram os corpos caídos entre trincheiras e campos verdes que por hora havia se tornado rubro, e poucos foram os que retornaram para suas casas para abraços apertados e beijos de saudade, entre estes tantos sempre lutei e voltei achando tolo e estúpido a importância a qual homens tão fortes e tão destemidos carregavam consigo, os quais sentiam tanto medo de não mais poderem receber tais afetos, confesso que não compreendia como poderia apenas uma simples mulher mudar todo o intimo de um homem, como uma simples mulher poderia fazer o mais fraco de todos os guerreiros combater em campo com uma desenvoltura de um gigante? Como um jovem inexperiente poderia manejar uma espada como um velho cavalheiro? Tais fatos sempre questionaram minha mente, pode parecer bobagem, mas para um velho cavalheiro como eu, poucas seriam as coisas que me impressionariam nessa amarga vida, mas para mudar todo um contexto basta apenas um beijo acompanhado com cabelos da cor do entardecer e toques macios como o tecido mais liso e aconchegante de todo o reino, combati em inúmeros ataques e sempre me senti impenetrável invencível e de uma hora para outra, aqueles lábios não mais deixavam ferir-me por descuido, meus movimentos pareciam de 20 anos antes, meus aparates e meus ataques me levavam sempre em frente, minhas pernas tinham a força de um cavalo, meu coração pulsava como se fosse sair pela boca , entre golpes e revides minha cabeça só pensava naqueles lábios acompanhados dos cabelos lisos a beira de um rio clareados pelo entardecer, o qual nem a mais afiada espada poderia fazer eu tirar o sorriso do rosto. Apesar do Cansaço e da distância que me separava daquela princesa com cabelos dourados, nada iria me parar, nem homens, nem cães, nem cavalos, nem espadas afiadas e investidas mortais, e após aquele beijo na beira do rio que pude perceber que o mesmo medo que os soldados carregavam era o mesmo medo que os traziam de volta para casa, e que era o mesmo medo que confortavam seus corpos enquanto jaziam nos campos, comecei a sentir o medo adentrar em meu peito e pulsar em minhas veias e esse mesmo medo que adentrava em meu corpo me tornava cada dia mais jovem e destemido, o qual me acometeu apenas com um singelo beijo a beira de um rio iluminado pelo entardecer.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Motivo da alma



  Apoiado em pés cansados escondido em meio a uma armadura pesada e opaca quase sem brilho jaz lentamente um corpo frágil e desgastado das lutas e batalhas, tantas batalhas que fui partícipe e entre tantas espadas e lanças nenhuma foi capaz de me dar o golpe de misericórdia e cortar meu cordão de prata, sempre sonhei em mudar de mundo e como agradecimento deixar meu sangue escorrer em algum campo, regar a grama com meu último valor e minha virtude, meu escudo que sempre carregou as perdas dessa efêmera vida, desviou golpes mortais e assustadores, minha espada marcada de golpes brutais me manteve sempre em pé, o meu corpo apesar de fraco e cansado ainda assim se equilibrava sobre meus pés os deixando me levarem para onde minha razão não compreendia. Entre tantos golpes que se fizeram passar por entre brechas de escudos e apartes de espadas, nenhuma ferida foi tão profunda e dolorosa como as feridas ocasionadas por armas de almas em corpos de carne, feridas essas que nenhum feiticeiro conseguiu cicatrizar nem aliviar a dor, meu caminho foi se fazendo lentamente entre passos curtos e quedas dolorosas, mas meus pés sempre insistindo em me levar adiante cada dia mais longe, após dias e noites a caminhar por estradas entre vales e abismos, pedras e lama. Subitamente meu corpo se refez como se um velho ao passar do tempo fosse se tornando cada dia mais jovem, meu coração que eu acreditava não mais pulsar repentinamente palpita com vigor como a muito tempo não o fazia, meu corpo já não mais se sente cansado, minhas feridas já não mais me doem, minha alma se volta para dentro do meu corpo como se realmente fosse apenas ela que estava todo esse tempo a me puxar pelo meu cordão de prata, não mais me sinto lento, voltei a sorrir e cantarolar cantigas de amor que nem sabia que conhecia, já não me arrasto pela estrada, agora corro e pulo como um potro e toda a sua jovialidade perto da sua mãe, descobri que minha razão nunca se opôs ao meu coração e que meus passos apesar de tortos me levavam onde o meu coração queria chegar, hoje sou capaz de enfrentar uma muralha de dez mil homens, enfrentar qualquer cavalaria, matar mil dragões e enfrentar qualquer feitiço apenas porque tenho um motivo muito importante me esperando. Eduardo Dias Gonçalves

sábado, 30 de março de 2013

Seis Sentidos

Um dia caminhando por uma estrada qualquer, daquelas que ligam um lugar qualquer a outro qualquer lugar, me deparo com um andarilho, daqueles velhos e curvados, com uma barba branca e cabelos compridos brancos amarelados, apoiando-se em uma bengala de cedro, sem nem me dar boa tarde me avisa que lábios fazem qualquer homem perder seus seis sentidos, gargalhei pensando comigo como poderia um velho falar em seis sentidos não saberia ele que só temos cinco, velho tolo pensei, mas confesso que fiquei curioso por saber mais sobre tal história, me aproximei com ar de deboche e segurando o riso perguntei: -E quais seriam os perigos que estes lábios poderiam me trazer? O velho sem parar de caminhar seguiu em sua direção balbuciando coisas sem sentido, corri atrás para ouvi-lo melhor e eis que após falar em um dialeto que eu não conhecia soltou uma gargalhada, perguntei o que estava a falar e ele respondeu-me: -Para um jovem tão esperto seguir um velho tolo, eis que ou tem medo do que vou lhe falar ou és um maldito ignorante na velha arte do amor, tão velha como os dias da terra. Zanguei-me e pensei em continuar meu caminho, conheço tanto do mundo como um velho tolo, mas algo me intrigava e engoli meu ego e continuei a caminhar lentamente ao lado do velho, seus passos eram tão lentos que tinha vontade de sair correndo ou carregá-lo em minhas costas, paciência nunca foi uma virtude minha, porém a curiosidade me mantinha ali lado a lado, perguntei para o velho quais os sentidos a que ele se referia e que perigos eram esses, parecia um menino tolo ansioso para saber como a história começava; O velho após parar brevemente olhou-me nos olhos e com ar de menino travesso pergunta-me quantas feridas carrego comigo, sem hesitar falo que muitas, apesar de jovem já lutei em muitas batalhas, brandi espadas e defendi meus ideais de honestidade e caráter tantas vezes que já nem mais contava, o velho gargalhou com ar de deboche, sua risada me irritava, mas não sei por que algo me instigava a saber mais sobre o que o velho guardava, quando para de gargalhar grita com a sua voz rouca que sabia que eu era um tolo ignorante, com raiva empunhei a espada prestes a cortar a cabeça dele com um só golpe, já havia defendido minha honra por motivos bem menores, mas ainda assim a minha curiosidade se sobrepunha sobre os fatos e soltei minha espada, o velho volta a mim e pergunta: -E por dentro meu caro jovem tolo, quantas feridas e cicatrizes você carrega? Respondo meio que contrariado que meu sucesso com as mulheres sempre foi algo que nunca dei muita importância, e que muitas delas nada mais se passaram do que companhias para entreter-me entre guerras, e que apesar de carregar algumas feridas evitava tocá-las, pois não me tem serventia dores que não curam e que remédios não podem aliviar. O velho volta a caminhar e avisa que os lábios podem encantar a visão, cegar os ouvidos, calar o tato, emudecer a audição e ludibriar o olfato... Gargalhei e perguntei se o velho não tinha se esquecido de um sentido, pois para ele seriam seis, certo de que o velho não tinha a mente sã e louco seria o mais oportuno a pensar dele, sem hesitar o velho resmunga: -Vejo que és jovem e tolo, e quanto mais velho ficas, mais tolo te tornas, e a intuição, sua anta? -Os lábios confundem a intuição a tal ponto de deixar os outros cinco sentidos e pensarem que estão certos, você tem muito que viver e somente nos campos de batalha não vais aprender metade das lições, não passará de um estúpido cavalheiro, talvez se torne um nobre, porém ainda assim será um nobre estúpido. Meu sangue fervia com as afrontas daquele velho, porém ainda assim queria saber mais e mais sobre suas loucuras, então me silenciei. O velho com a naturalidade de quem sabia exatamente o que me falava, pergunta se eu já havia aberto meu coração a alguma mulher que se aproveitou disso para tirar proveito, respondo rapidamente que não, mas sem perceber começo a gaguejar e procurar alguma resposta, o velho solta um berro: -Pois bem meu caro jovem estupido, enxergas algo do que quero te dizer? Percebes que tua intuição foi abalada? Teu coração tolo quer falar coisas que tua razão não sabe explicar, qual dos sentidos está correto? Teu paladar? Tua visão? Tua audição? Teu olfato? Teu tato? Penso em falar, mas o velho tinha absoluta razão do que falava então me silênciei novamente; -Os lábios que menciono murmuram palavras doces nos ouvidos, hipnotizam a visão com suas formas e suas cores, anestesiam o tato e imitam o aroma de qualquer perfume, sem mencionar que deixam qualquer são em loucura permanente; Para mim já bastava saber que ou o velho havia perdido seu coração há muito tempo atrás ou eu estaria concordando com os ensinamentos de um velho louco, mas com tamanha naturalidade que se pronunciava poderia ser eu o louco da história, pois bem a noite se aproximava e resolvi preparar o acampamento, o velho parecia cansado e eu ainda tinha muitas milhas a caminhar no outro dia, juntei alguns gravetos dividi um pedaço de pão e um pouco de hidromel que carregava comigo para com o velho e escutando mais algumas histórias daquele velho louco acabei por adormecer. Na manhã seguinte ao acordar me deparo com um bilhete escrito em um pedaço de pano que dizia: “Para chegar mais rápido aonde se quer chegar, deve-se caminhar o máximo que puder e descansar o mínimo que conseguir. PS: lembre-se sempre que os lábios podem tornar até o mais sábio dos homens o mais tolo deles apenas com um singelo beijo, boa caminhada meu caro nobre jovem e estúpido!” Guardei o pano em minha bolsa e hesitante voltei a caminhar e seguir adiante o meu caminho, me questionando será estes os lábios, que penso que me farão ouvir o sabor de palavras doces como o mel? Será estes mesmo lábios que irão me calar os olhos? Que farão meus dedos sentirem como seria tocar o céu? Sentir o cheiro dos sabores? Provar o gosto dos sonhos? Eduardo Dias Gonçalves

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Prece a Epona

Meu tempo escorre como o gelo se desfaz das montanhas, minhas pernas já não são fortes o suficiente, rogo a Deusa Epona mais um cavalo, que a noite possa galopar na proteção de Selene, silencioso e rápido como Éole, Valente como Odin, como oferenda ofereço meu corpo e meu sangue pela causa, brandindo espadas e defendendo até o último suspiro de meu corpo os meus ideais de honestidade e caráter, acabei por tornar-me um velho guerreiro solitário, cicatrizes e experiência de poucos combatentes foi o que me restaram, atrás de meu escudo ficaram marcados os amigos e familiares que perdi em batalhas, não sou mais tão ágil quanto antes, porem ainda manejo minha espada com a desenvoltura de um jovem tolo. Sigo a caminhar por entre os vales, não temo a morte, pois o medo encontra-se dentro do coração de cada homem, de todas as batalhas que lutei as mais dolorosas foram as que fui golpeado com os punhais de Afrodite, se não fosse a magia de Baco, a me curar da cólera que causa tanta dor, seria mais um humilde guerreiro a ajudar no campo e cuidar de animais, quero por meu corpo e vociferar palavras de ordem enquanto brandirei minha espada contra os corpos de inimigos, quero separar almas de corpos tingindo as patas do meu cavalo de sangue e suor, quero escutar o som de espadas e gritos de misericórdia enaltecendo cada galope, cada bater de cascos no solo. Então a ti minha Deusa Epona concedei-me e considera como um último pedido, de um jovem guerreiro com a sabedoria de um velho tolo, permita-me galopar por entre campos de batalhas e quando já não for mais tão ágil ou quando o Deus Odin assim desejar, deixa-me aos cuidados das Valquirias e derrama um pouco do meu sangue em homenagem a Afrodite. Eduardo Dias Gonçalves

domingo, 25 de novembro de 2012

Meu coração me abandonou

Por onde andei, nem mais eu sei, andei perdido, me achei me perdi novamente, e por esses caminhos que fui e que voltei já não sei mais o quanto percorri, estradas por entre colinas e campos caminhei, lembro que deixei meu coração em algum lugar mas já nem lembro, peguei chuva, frio, senti calor, estive cansado e em alguns lugares adormeci, não sei por quantos dias nem por quantas noites, toco em meu peito e não sinto mais meu coração a palpitar, tiro a espada da bainha e corto firmemente a palma da mão, o sangue escorre tingindo de rubro o solo que se encontra sob meus pés, percebo que estou vivo, porem não sinto mais meu coração bater, busco na memória o que aconteceu nesses dias de caminhada, são imagens e cenas misturadas, tudo muito confuso, na bolsa que carrego, uma garrafa de hidromel pela metade, entendo o porque de tanta confusão mental, estou ligeiramente embriagado. Meus pés doem, minhas pernas já trêmulas insistem em não equilibrar mais meu corpo, meus olhos ardem com o suor que escorre de minha testa, insisto em caminhar sem saber onde devo chegar sem saber para onde devo ir, sem saber de onde venho, apenas sinto que tenho que continuar, meu corpo sente dores de batalhas que tive no passado, meu coração continua estático, sem nem ao menos me dar uma misera motivação, perdi meu cavalo em uma batalha e desde então minha caminhada é cada dia mais lenta, onde antes percorria milhas em um dia hoje não percorro mais do que algumas centenas de metros, ainda mais com estes meus pés tortos, que insistem em doerem e me irritarem, apesar de velho ainda tenho uma saúde de jovem, uma força de um potro selvagem porem minha mente inquieta me coloca amarras e pesos tão severos que meu corpo luta para livrar-se, sem sucesso e acabo por submeter-me aos seus desejos e comandos. Já fui jovem e tolo e quanto mais velho fico mais tolo eu me torno, insisto em acreditar em palavras de mercadores e nobres, que por trás dos seus trajes não passam de vigaristas e oportunistas, de meu coração ainda não tive noticias, deve estar por algum lugar qualquer, talvez tenha até abandonado meu corpo, minha razão insistia em criar desavenças a todo instante com ele, talvez cansado de ser contrariado, resolveu seguir seu próprio caminho, e eu aqui estou sem mapa, sem rumo e talvez sem coração, a noite chega e na frente de uma fogueira ainda sinto frio, minhas mãos e meus pés estão gélidos como um mero cadáver, torno a beber mais um pouco de hidromel que restou, a fim de voltar a lembrar-me de quando meu coração palpitava com o vigor de jovem, com o calor de uma festa a beira do fogo, com gente cantando e dançando, a alegria não toma meu corpo e começo a ter certeza que meu coração me abandonou, as lágrimas em meu rosto já não são as mesmas, tornaram-se escassas e pouco intensas, acabo por deitar-me a beira do fogo esperando adormecer para quem sabe quando acordar meu coração esteja novamente palpitando em meu peito. Eduardo Dias Gonçalves 26/11/12

sexta-feira, 25 de março de 2011

Nunca esqueça


Já nasci, fui criança, corri, brinquei, abracei, beijei, confiei, acreditei, falei, discordei;
Já fiz de conta, alegrei, já fui e voltei;
Já fui filho, irmão, primo, namorado, amigo;
Já lutei, ganhei, perdi, cai, levantei;
Já caminhei, já fui longe, já fiquei perto;
Já dei carinho, já tive carinho;
Já fui honesto, justo e injusto, correto e errado;
Já dei colo, amparei, magoei, me apaixonei;
Já fugi de casa, já pedi perdão, já me arrependi;
Já me senti livre, já trabalhei;
Já nadei, já tomei banho de chuva;
Já vi o sol nascer e se pôr, já vi a lua;
Já dancei, cantei, já gritei só por gritar;
Já fiz um castelo de areia na praia;
Já andei de mãos dadas, já surpreendi;
Já sonhei, chorei, realizei;
Já senti o cheiro da grama recém cortada e da terra molhada;
Já pesquei, já dormi na beira da praia;
Já fiz de tudo um pouco e se um dia desses eu me for, que fique claro que de tudo que eu fiz, o mais importante foi que eu amei...

Eduardo Dias Gonçalves

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

3.654 Dias


Daria tudo o que tenho para voltar dez anos atrás, trocaria tudo apenas para ela me notar, faria tudo diferente, dessa vez nada de mancadas e imaturidades, a deixaria pisar e estraçalhar meu coração, me fazer de gato e sapato e ainda assim iria me sentir totalmente feliz, queria novamente aquele beijo, aquele nosso primeiro beijo, queria tê-la novamente agarrada em meu pescoço, queria que nosso primeiro beijo fosse agora, confessaria que ela foi meu primeiro amor e que eu agora compreendo que foi o único amor da minha vida, queria viver todos os detalhes novamente, dez anos se passaram e a vida apenas a deixou mais bela e mais encantadora.
Cada vez que a vejo uma sensação de nostalgia me embaralha o pensamento, lembro de um breve beijo que eu roubei dela num carnaval, beijo com começo, mas sem final, como que para me punir pelas minhas mancadas e infantilidades daquela época, o tempo passou os destinos tomaram seus rumos, e após mais ou menos umas 3.654 voltas no mundo nossos destinos percorrem linhas paralelas muito próximas, e eu fico ali apenas a contemplá-la, a apreciar as suas maças do rosto rosadas e seu sorriso, uma década depois e seu sorriso é igual a como a primeira vez que a vi quando ainda éramos crianças.
Tentei ver tua mão, mas os papeis que carregavas não me revelaram se teu coração já é de alguém, pensei em inventar qualquer desculpa apenas para te ver mais uma vez e não tive coragem, fiquei ali apenas te apreciando e sonhando que em um dia qualquer eu seja notado por ti, e se isso não acontecer, apenas ficarei aqui a te ver de longe na esperança de um dia nossos passos serem lado a lado.
Eduardo Dias Gonçalves
Foto de: Eduardo Dias Gonçalves